23 de Abril, dia de São Jorge e, por sincretismo, também de Ogum Guerreiro. O Santo protetor dos caminhos e senhor absoluto de nossas casas e porteiras. Senhor das demandas, com sua espada em punho resgata, protege e guia todos os seus filhos. Dia de acender uma velha vermelha em homenagem ao grande orixá e orar:
Orixá, protetor, Deus das lutas por um ideal. Abençoai-me, dai-me forças, fé e esperança.
Deixa-me que hoje eu seja mais unido a ti em tua legião de perfeições, deixa-me que também ingresse lutando lado a lado como soldado defensor de tuas teses. Senhor Ogum, Deus das guerras e das demandas, livrai-me dos empecilhos e dos meus inimigos. Abençoai-me neste instante e sempre para que as forças do mal não me atinjam. Ogum grande guerreiro, faz de mim seu escudeiro, deixa-me contigo e por ti lutar.
Ogum grande Orixá, saúde para os doentes, paz para os atormentados, fé para os incrédulos e que eles tenham um momento de reflexão. Que eles possam alcançar sua vibração. Dai-lhe coragem para lutar contigo e possam serem vitoriosos, trazendo sua bandeira da paz.
Salve sua grande vibração!
Ogum Iê, Cavaleiro Andante dos caminhos que percorremos.
Patacori... Ogum Iê...
Ogum meu Pai, vencedor de demandas... Ogum Saravá Ogum... E que assim seja!
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sábado, 23 de abril de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Conhecendo Ogum em 20 ítens
1. Senhor dos metais, das guerras e dos caminhos;
2. A ele deve-se pedir proteção para passar por lugares perigosos;
3. Protetor de todos que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, militares, agricultores, etc.;
4. Patrono da tecnologia, pois é o símbolo da força manual sobre o conhecimento prático;
5. Sincretizado com São Jorge e Santo Antonio;
6. Filho mais velho de Iemanjá é irmão de Exu e Oxóssi;
7. É a linha divisória entre razão e emoção;
8. Ogum é a franqueza, a decisão, a certeza e o fato consumado;
9. Implacável, destemido, lutador incansável e vingativo;
10. No entanto, pode ser dócil, amável e muito disciplinado. É a vida em plenitude;
11. Depois de Exu é o orixá mais próximo das mazelas e defeitos humanos;
12. Senhor das demandas, é o guardião dos templos, o que protege as porteiras;
13. É o que vem primeiro, está sempre à frente;
14. Exu representa a magia e Ogum, a guerra. É o general sempre disposto ao combate;
15. Os locais consagrados a ele ficam sempre ao ar livre;
16. Os instrumentos de Ogum são sete: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, faca e espada;
17. Seu lema é: Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a cólera implacável;
18. O sangue que corre em nossas veias é regido por Ogum;
19. Sua cor é a vermelha; seu dia a terça-feira;
20. Saudação: Ogunhê meu Pai! Patakori Ogum!
2. A ele deve-se pedir proteção para passar por lugares perigosos;
3. Protetor de todos que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, militares, agricultores, etc.;
4. Patrono da tecnologia, pois é o símbolo da força manual sobre o conhecimento prático;
5. Sincretizado com São Jorge e Santo Antonio;
6. Filho mais velho de Iemanjá é irmão de Exu e Oxóssi;
7. É a linha divisória entre razão e emoção;
8. Ogum é a franqueza, a decisão, a certeza e o fato consumado;
9. Implacável, destemido, lutador incansável e vingativo;
10. No entanto, pode ser dócil, amável e muito disciplinado. É a vida em plenitude;
11. Depois de Exu é o orixá mais próximo das mazelas e defeitos humanos;
12. Senhor das demandas, é o guardião dos templos, o que protege as porteiras;
13. É o que vem primeiro, está sempre à frente;
14. Exu representa a magia e Ogum, a guerra. É o general sempre disposto ao combate;
15. Os locais consagrados a ele ficam sempre ao ar livre;
16. Os instrumentos de Ogum são sete: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, faca e espada;
17. Seu lema é: Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a cólera implacável;
18. O sangue que corre em nossas veias é regido por Ogum;
19. Sua cor é a vermelha; seu dia a terça-feira;
20. Saudação: Ogunhê meu Pai! Patakori Ogum!
sábado, 24 de julho de 2010
Características dos filhos de Ogum
Os filhos de Ogum têm um comportamento coerente, arrebatado e passional, afeitos às explosões, a obstinação, assim como ao prazer com os amigos e com o sexo oposto.
Custam a perdoar as ofensas dos outros e podem passar anos sem falar ou mesmo tocar no nome de seus desafetos. São amigos camaradas, fiéis e divertidos, despertam sempre interesse carnal, e isso os leva a ter seguidos relacionamentos sexuais. Não costumam se fixar muito a uma só pessoa até realmente encontrarem seu grande amor.
São pessoas determinadas com vigor e espírito de competição. Líderes natos e com coragem para enfrentar qualquer tipo de missão, são extremamente francos e, muitas vezes, rudes ao impor sua vontade e idéias. Arrependem-se quando vêem que erraram, assim, tornam-se abertos a novas idéias e opiniões, desde que sejam coerentes e explicadas de uma maneira que não os ofenda.
Práticos e inquietos, nunca "falam por trás" de alguém, não aceitam traição, dissimulação ou injustiça com os mais fracos.
Nenhum filho de Ogum nasce equilibrado. Seu temperamento, difícil e rebelde, o torna, desde a infância, quase um desajustado. Entretanto, como não depende de ninguém para vencer suas dificuldades, com o crescimento vai se libertando e adquirindo a paciência e controle necessários para sua sobrevivência. Seu maior defeito é o gênio impulsivo e sua maior qualidade é que sempre, seja pelo caminho que for, será sempre um Vencedor.
A sua impaciência é marcante. Não admite a injustiça e costuma sempre proteger os mais fracos assumindo a situação daquele que escolhe proteger. Sabe mandar sem nenhum constrangimento e ao mesmo tempo sabe ser mandado, desde que não seja desrespeitado.. Não faz rodeio para dizer o que pensa. Não admite a fraqueza e a falta de garra e chega a desprezar aqueles que possuem essas falhas.
Sua vida amorosa tende a ser muito variada e marcada pelo descontrole. No entanto, quando encontra o verdadeiro amor torna-se um companheiro fiel pela eternidade..
Ogunhê meu Pai!
Custam a perdoar as ofensas dos outros e podem passar anos sem falar ou mesmo tocar no nome de seus desafetos. São amigos camaradas, fiéis e divertidos, despertam sempre interesse carnal, e isso os leva a ter seguidos relacionamentos sexuais. Não costumam se fixar muito a uma só pessoa até realmente encontrarem seu grande amor.
São pessoas determinadas com vigor e espírito de competição. Líderes natos e com coragem para enfrentar qualquer tipo de missão, são extremamente francos e, muitas vezes, rudes ao impor sua vontade e idéias. Arrependem-se quando vêem que erraram, assim, tornam-se abertos a novas idéias e opiniões, desde que sejam coerentes e explicadas de uma maneira que não os ofenda.
Práticos e inquietos, nunca "falam por trás" de alguém, não aceitam traição, dissimulação ou injustiça com os mais fracos.
Nenhum filho de Ogum nasce equilibrado. Seu temperamento, difícil e rebelde, o torna, desde a infância, quase um desajustado. Entretanto, como não depende de ninguém para vencer suas dificuldades, com o crescimento vai se libertando e adquirindo a paciência e controle necessários para sua sobrevivência. Seu maior defeito é o gênio impulsivo e sua maior qualidade é que sempre, seja pelo caminho que for, será sempre um Vencedor.
A sua impaciência é marcante. Não admite a injustiça e costuma sempre proteger os mais fracos assumindo a situação daquele que escolhe proteger. Sabe mandar sem nenhum constrangimento e ao mesmo tempo sabe ser mandado, desde que não seja desrespeitado.. Não faz rodeio para dizer o que pensa. Não admite a fraqueza e a falta de garra e chega a desprezar aqueles que possuem essas falhas.
Sua vida amorosa tende a ser muito variada e marcada pelo descontrole. No entanto, quando encontra o verdadeiro amor torna-se um companheiro fiel pela eternidade..
Ogunhê meu Pai!
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Ogunhê meu Pai!
23 de Abril, dia de São Jorge e, por sincretismo, também de nosso santo guerreiro. Saravá Senhor Ogum! O vendedor das demandas, grande força espiritual de qualquer terreiro. A vós, nos entregamos e pedimos sua proteção meu pai! Abaixo coloco uma prece para que seja feita em frente a uma vela vermelha acesa na intenção desse grande Orixá:
PRECE A OGUM
EU ANDAREI VESTIDO E ARMADO COM AS ARMAS DE OGUM PARA QUE MEUS INIMIGOS TENDO PÉS NÃO ME ALCANCEM; TENDO MÃOS NÃO ME PEGUEM; TENDO OLHOS NÃO ME ENXERGUEM; NEM PENSAMENTOS ELES POSSAM TER PARA ME FAZEREM MAL. ARMAS DE FOGO O MEU CORPO NÃO ALCANÇARÃO, FACAS E LANÇAS SE QUEBRARÃO SEM AO MEU CORPO CHEGAR, CORDAS E CORRENTES SE REBENTARÃO SEM O MEU CORPO AMARRAREM.CONTO SEMPRE COM A FORÇA E A PROTEÇÃO DO GRANDE GUERREIRO OGUM, PAI QUE NUNCA ME ABANDONA.
PATACORI OGUM!
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
O segredo de Ogum
Quando Ifé foi criada, tudo era felicidade e abundância. Os humanos e os orixás viviam, conjuntamente, num eterno clima de paz. Mas com o crescimento do mundo, o número de pessoas aumentava rapidamente, fazendo com que a comida se tornasse escassa. Assim, já não havia como sustentar tantas bocas.
Os orixás então se reuniram para discutir um meio de derrubar as grandes florestas para, com isso, aumentar a área de lavoura e acabar com a fome que já se avizinhava.
Ossãe, orixá das folhas, foi o primeiro a se oferecer para o desmatamento. Desceu até o Aiê e pelejou durante dias, mas seu facão era de metal mole e não conseguia nem mesmo ferir as grandes árvores. Muito frustrado, ele voltou sem conseguir cumprir seu intento.
Depois dele, todos os orixás tentaram e, um a um, desceram para tentar cumprir a tarefa, mas pelo mesmo motivo, nenhum pode concretizá-la a contento.
Ogum que era o dono do segredo do ferro, dado a ele por Olorum, ofereceu-se para ir e experimentar seu facão. Mesmo sem acreditar no êxito, todos concordaram e ele desceu ao Aiê.
Em uma semana conseguiu desmatar uma grande floresta e assim o povo pôde plantar fazendo com que a prosperidade e a fartura voltassem a Ifé.
Ogum foi muito festejado por ter salvado a terra, mas deixou de ter sossego, pois todos, orixás e humanos, viviam a cercá-lo pedindo para que lhes desvendasse o seu segredo.
Durante muito tempo relutando em atender aos pedidos, Ogum finalmente cedeu e ensinou aos orixás o segredo do ferro.
Aos humanos deu o conhecimento da forja. Em pouco tempo todos tinham suas espadas, lanças, enxadas e vários instrumentos feitos daquele metal resistente.
E, graças a ele, a terra prosperou. Saravá Ogum!
Luiz Carlos Pereira
domingo, 26 de julho de 2009
Lenda de Nanã Buruquê

No inicio dos tempos os pântanos cobriam quase toda a terra. Faziam parte do reino de Nanã Buruquê e ela tomava conta de tudo com mãos de ferro como boa soberana que era. Quando todos os reinos foram divididos por Olorun e entregues aos orixás uns passaram a adentrar nos domínios dos outros e muitas discórdias passaram a ocorrer. E foi dessa época que surgiu esta lenda. Ogum precisava chegar ao outro lado de um grande pântano, uma guerra estava prestes a ocorrer e sua presença era solicitada com urgência. Resolveu então atravessar o lodaçal para não perder tempo. Ao começar a travessia que seria longa e penosa ouviu atrás de si uma voz autoritária:
- Volte já para o seu caminho rapaz! - Era Nanã com sua majestosa figura matriarcal que não admitia contrariedades - Para passar por aqui tem que pedir licença!
- Como pedir licença? Sou um guerreiro, preciso chegar ao outro lado urgente. Há um povo inteiro que precisa de mim.
-Não me interessa o que você é e sua urgência não me diz respeito. Ou pede licença ou não passa. Aprenda a ter consciência do que é o respeito ao alheio.
Ogum riu com escárnio: - O que uma velha pode fazer contra alguém jovem e forte como eu? Irei passar e nada me impedirá!
Nanã imediatamente deu ordem para que a lama tragasse Ogum para impedir seu avanço. O barro agitou-se e de repente começou a se transformar em grande redemoinho de água e lama. Ogum teve muita dificuldade para se livrar da força imensa que o sugava. Todos seus músculos retesavam-se com a violência do embate. Foram longos minutos de uma luta sufocante. Conseguiu sair, no entanto, não conseguiu avançar e sim voltar para a margem. De lá gritou:
-Velha feiticeira, você é forte não nego, porém também tenho poderes. Encherei esse barro que chamas de reino com metais pontiagudos e nem você conseguirá atravessa-lo sem que suas carnes sejam totalmente dilaceradas. E assim fez. O enorme pântano transformou-se em uma floresta de facas e espadas que não permitiriam a passagem de mais ninguém. Desse dia em diante Nanã aboliu de suas terras o uso de metais de qualquer espécie. Ficou furiosa por perder parte de seu domínio, mas intimamente orgulhava-se de seu trunfo: - Ogum não passou!
Saravá Nanã Buruquê! Saluba Vovó!
Luiz Carlos Pereira
terça-feira, 18 de março de 2008
Lenda de Obá

Obá nasceu e cresceu grandalhona e desajeitada. Devido a isso se tornou tímida fugindo do contato com todos. Para compensar esse lado tão arredio de sua personalidade, tornou-se uma lutadora feroz. Lutava por prazer e nesses momentos se sentia a melhor e mais bonita das mulheres. Os embates em que ela participava eram disputados, todos queriam assisti-la em ação. Não escolhia adversários, derrubava homens e mulheres com a mesma naturalidade. Cada vitória era ovacionada por dezenas de pessoas e assim sua fama de campeã acabou rompendo os limites de sua tribo indo parar em terras distantes. Ogum, o grande guerreiro de terras vizinhas, ficou extremamente perturbado com a fama daquela mulher e resolveu ver de perto se ela realmente merecia o que dela se falava. Disfarçado, pois era muito conhecido nos campos de luta, observou vários desafios enfrentados por Obá e ficou abismado com a facilidade com que ela vencia. Era uma mulher grande sem traços de beleza, mas com uma altivez que mexeu com o rapaz Sem pensar duas vezes desafiou- a. Ela ficou espantada, pois não imaginava uma luta com o grande Ogum conhecido por suas vitórias, mas aceitou sem pestanejar, confiava em si. Marcaram a contenda para alguns dias adiante o que daria tempo a Obá para que descansasse. Novamente disfarçado Ogum seguia o treinamento da moça e a cada vez se espantava mais. Após o terceiro dia começou a temer uma possível derrota, isso seria absurdo e seu nome seria jogado na lama. Incomodado com esses pensamentos resolveu procurar por um babalaô a quem pediu algo que o fizesse ganhar a luta com certeza. O adivinho mandou que ele preparasse muitos quiabos com milho, socasse-os no pilão até formar uma pasta grossa e a levasse para o local. No dia marcado, Ogum chegou bem cedo e no canto destinado a Obá, espalhou a pasta. Cobriu com folhas todo o circulo assim ninguém veria a artimanha empregada. Logo que o dia amanheceu as pessoas começaram a chegar, eram muitas, vindas de diversas partes, ambos ficaram muito conhecidos e seria uma grande luta. A deusa das águas revoltas em minutos mostrou sua superioridade. Era quase certa a derrota de Ogum, este já adivinhando o final, aproveitou-se de um descuido da mulher e levou-a até a pasta preparada. Obá escorregou e caiu. Imediatamente o guerreiro pulou para cima dela e a violentou. A vergonha foi tamanha que ela fugiu e nunca mais foi vista na aldeia. Foi assim que Ogum tornou-se o primeiro homem de Obá e o único a derrotá-la naquilo que ela fazia de melhor.
Luiz Carlos Pereira
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Surpresa de médium

- Minha mãe sempre diz que eu sou cavalo de Ogum! – A informação foi dada nem ele mesmo sabia por quê. A bela mulher cravou-lhe olhos sobre e falou com uma voz rouca que não disfarçava um leve sotaque:
- Adoro Ogum, orixá guerreiro!
- Ah! Eu também gosto muito – mentia para agradar, não tinha afinidade alguma com nenhum orixá – Só não sei se gosto de ser cavalo de alguém...
- Bobinho é só um modo de falar. Os antigos diziam que os orixás cavalgavam seus médiuns, por isso a associação com o cavalo.
Benê não estava ouvindo nada, observava a linda mulher a sua frente. Negra, alta de corpo perfeito contava ainda com dois atrativos que o surpreenderam. Os olhos de um verde infinito e os cabelos que caiam em cachos louros pelos ombros.
Fazia apenas duas horas que a conhecera. Sua mãe fizera de tudo para que ele fosse ao terreiro da mãe Nininha com ela, mas ele não gostava. Cada vez que ia somente ouvia sermões – Desenvolva! Acerte sua vida! Seus orixás querem trabalho! – Não queria. Hoje não. Alegou compromissos e mesmo sem ter marcado nada com ninguém apareceu no salão.
Como era de se esperar não havia nenhum conhecido. Sentou-se junto ao balcão e tomando uma cerveja, passou a apreciar os casais que dançavam. De repente um samba explodiu nas caixas de som. No meio do salão ela surgiu, negra, linda, loura, suntuosa. .A partir desse momento não conseguiu mais despregar os olhos daquela visão. O samba parecia ter sido composto para ela, cadenciando cada requebro do quadril generoso. Por duas vezes ela piscou-lhe deixando-o embasbacado.
Apresentaram-se ao final da música. Irma, esse era o nome da linda moça. Sem ter idéia de como o assunto começou Benê contou que estava ali fugindo de ir ao terreiro.
- Você não devia fazer isso meu querido! Se é obrigação temos que cumprir! – o sotaque o deixava em suspenso cada vez que ela falava. De onde seria? – Eu sou Yalorixá e se estou aqui hoje me divertindo um pouco é porque não tenho compromissos no terreiro.
- Eu gosto, acho bonito, mas não consigo acreditar nesse negócio dos santos virem a terra para ajudar alguém, parece conversa fiada.
- Querido você está muito enganado. Se eles não estivessem sempre junto de nós, você acha que estaríamos aqui em um salão de baile discutindo a respeito deles sem ao menos nos conhecer direito?
Passaram duas horas conversando, Benê tinha certeza que sairiam dali para o motel. Ledo engano a moça só queria falar de santos, orixás, obrigações. Na hora da despedida ela o surpreendeu, queria caminhar. E lá se foram pelo caminho sem mudar o assunto.
De repente ela parou:
- Vou ficar por aqui!
- Como? Aqui não tem nada é só um terreno abandonado...
- Mas é aqui que eu fico meu querido! Correu para o descampado, rodopiou fortemente e gritou, um grito profundo e cortante, antes de sumir no ar - Hei!
Benê ajoelhou-se no meio da rua e entendeu tudo, tinha passado algumas horas com Iansã guerreira. De sua garganta uma louvação rouca surgiu:
- EPARREI OYA! SALVE MINHA MÃE!
- Adoro Ogum, orixá guerreiro!
- Ah! Eu também gosto muito – mentia para agradar, não tinha afinidade alguma com nenhum orixá – Só não sei se gosto de ser cavalo de alguém...
- Bobinho é só um modo de falar. Os antigos diziam que os orixás cavalgavam seus médiuns, por isso a associação com o cavalo.
Benê não estava ouvindo nada, observava a linda mulher a sua frente. Negra, alta de corpo perfeito contava ainda com dois atrativos que o surpreenderam. Os olhos de um verde infinito e os cabelos que caiam em cachos louros pelos ombros.
Fazia apenas duas horas que a conhecera. Sua mãe fizera de tudo para que ele fosse ao terreiro da mãe Nininha com ela, mas ele não gostava. Cada vez que ia somente ouvia sermões – Desenvolva! Acerte sua vida! Seus orixás querem trabalho! – Não queria. Hoje não. Alegou compromissos e mesmo sem ter marcado nada com ninguém apareceu no salão.
Como era de se esperar não havia nenhum conhecido. Sentou-se junto ao balcão e tomando uma cerveja, passou a apreciar os casais que dançavam. De repente um samba explodiu nas caixas de som. No meio do salão ela surgiu, negra, linda, loura, suntuosa. .A partir desse momento não conseguiu mais despregar os olhos daquela visão. O samba parecia ter sido composto para ela, cadenciando cada requebro do quadril generoso. Por duas vezes ela piscou-lhe deixando-o embasbacado.
Apresentaram-se ao final da música. Irma, esse era o nome da linda moça. Sem ter idéia de como o assunto começou Benê contou que estava ali fugindo de ir ao terreiro.
- Você não devia fazer isso meu querido! Se é obrigação temos que cumprir! – o sotaque o deixava em suspenso cada vez que ela falava. De onde seria? – Eu sou Yalorixá e se estou aqui hoje me divertindo um pouco é porque não tenho compromissos no terreiro.
- Eu gosto, acho bonito, mas não consigo acreditar nesse negócio dos santos virem a terra para ajudar alguém, parece conversa fiada.
- Querido você está muito enganado. Se eles não estivessem sempre junto de nós, você acha que estaríamos aqui em um salão de baile discutindo a respeito deles sem ao menos nos conhecer direito?
Passaram duas horas conversando, Benê tinha certeza que sairiam dali para o motel. Ledo engano a moça só queria falar de santos, orixás, obrigações. Na hora da despedida ela o surpreendeu, queria caminhar. E lá se foram pelo caminho sem mudar o assunto.
De repente ela parou:
- Vou ficar por aqui!
- Como? Aqui não tem nada é só um terreno abandonado...
- Mas é aqui que eu fico meu querido! Correu para o descampado, rodopiou fortemente e gritou, um grito profundo e cortante, antes de sumir no ar - Hei!
Benê ajoelhou-se no meio da rua e entendeu tudo, tinha passado algumas horas com Iansã guerreira. De sua garganta uma louvação rouca surgiu:
- EPARREI OYA! SALVE MINHA MÃE!
Luiz Carlos Pereira
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
LENDA DE OGUM
Ogum era casado com Iansã e tinham uma convivência perfeita, até o dia em que o irmão de Ogum, Xangô, foi visitá-los. Assim que conheceu a cunhada, tomou-se de amores por ela e passou a freqüentar a casa com assiduidade. Aos poucos se insinuava para a mulher que a cada dia ficava mais envolvida pelas belas palavras do cunhado. um dia, aproveitando-se da ausência do irmão pediu que Iansã prepara-se um amalá para ele, pois tinha muita saudade dessa comida e há tempos não conseguia ninguém que a fizesse. Assim que o prato ficou pronto, Xangô aspergiu um pó mágico sobre ele e pediu que a moça também comesse. Sem desconfiar de nada, Iansã sentou-se e dividiu a refeição com o cunhado. No mesmo instante passou a cuspir fogo pela boca a cada palavra que dizia, apavorada percebeu que tinha sido enganada, esse dom era de Xangô e ele o havia dividido com ela, essa artimanha fez com que se apaixonasse imediatamente entregando-se sem reservas. . Ogum ao regressar de uma viagem, encontrou-os em pleno idílio amoroso e violentamente os colocou para fora, dizendo nunca mais querer vê-los. A partir desse dia tornou-se um andarilho. Xangô levou Iansã para seu reino e até hoje vivem juntos e felizes, ele o senhor dos raios e trovões. Ela senhora das tempestades.
Luiz Carlos Pereira
Luiz Carlos Pereira
OUTRA LENDA DE OGUM
Filho de Oduduia, rei de Ifé, Ogum tornou-se rei após uma inexplicável cegueira que acometeu seu pai. Galante e namorador foi marido de Iansã, Oxum e Obá, futuras esposas de Xangô.
Durante seu reinado apossou-se da cidade de Irê, matando o monarca e colocando seu filho no trono, voltou à sua terra e durante anos reinou com tranquilidade. um dia resolveu voltar a Irê para visitar o filho. Após uma longa viagem deparou-se, no entanto, com uma cerimônia religiosa, muito conhecida na época, na qual se exigia que todos mantivessem absoluto silêncio.
Sem lembrar-se desse preceito, saiu pelas ruas tentando falar com alguém sem obter nenhuma resposta. Com fome e sede, andou irritado pela cidade sentindo-se desprezado. Em vários lugares encontrou vários potes de vinho, mas ao abrí-los viu que estavam todos vazios. Isso o deixou mais nervoso, então tirou a espada e começou a quebrar tudo que estava a sua volta. Os habitantes, mesmo em silêncio, tentaram controlar sua fúria. Mas quem segura a ira de Ogum?
Todos foram degolados e quantos mais chegavam, mais mortes ocorriam. A cidade cobriu-se de sangue e luto. Passada a cerimônia, veio o filho e explicou-lhe o que havia ocorrido. Ninguém o desprezara, ali todos o amavam, fora um mal entendido ocasionado pelo tabu religioso. Ogum desgostoso pelo que fizera chorou muito e arrependeu-se profundamente de haver matado tantos súditos do reino. E tão ferido ficou com o acontecido que pegou sua enorme espada e cravou-a no chão com imensa força. Ouviu-se um grande estrondo e Ogum desapareceu nas entranhas da terra, tornando-se assim orixá.
Luiz Carlos Pereira
Durante seu reinado apossou-se da cidade de Irê, matando o monarca e colocando seu filho no trono, voltou à sua terra e durante anos reinou com tranquilidade. um dia resolveu voltar a Irê para visitar o filho. Após uma longa viagem deparou-se, no entanto, com uma cerimônia religiosa, muito conhecida na época, na qual se exigia que todos mantivessem absoluto silêncio.
Sem lembrar-se desse preceito, saiu pelas ruas tentando falar com alguém sem obter nenhuma resposta. Com fome e sede, andou irritado pela cidade sentindo-se desprezado. Em vários lugares encontrou vários potes de vinho, mas ao abrí-los viu que estavam todos vazios. Isso o deixou mais nervoso, então tirou a espada e começou a quebrar tudo que estava a sua volta. Os habitantes, mesmo em silêncio, tentaram controlar sua fúria. Mas quem segura a ira de Ogum?
Todos foram degolados e quantos mais chegavam, mais mortes ocorriam. A cidade cobriu-se de sangue e luto. Passada a cerimônia, veio o filho e explicou-lhe o que havia ocorrido. Ninguém o desprezara, ali todos o amavam, fora um mal entendido ocasionado pelo tabu religioso. Ogum desgostoso pelo que fizera chorou muito e arrependeu-se profundamente de haver matado tantos súditos do reino. E tão ferido ficou com o acontecido que pegou sua enorme espada e cravou-a no chão com imensa força. Ouviu-se um grande estrondo e Ogum desapareceu nas entranhas da terra, tornando-se assim orixá.
Luiz Carlos Pereira
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