segunda-feira, 24 de setembro de 2007

MISTIFICAÇÃO NAS IGREJAS

De vez em quando gosto de assistir aos programas de humor que determinadas igrejas nos oferecem. Há um “quê” de cinismo nessas pessoas que se dizem ex-pais e mães de encosto, não acham? Já ouvi depoimentos desses expoentes da Umbanda claramente mentirosos e somente quem está na religião percebe as grandes inverdades que eles contam. Para eles, qualquer de nossas entidades ou orixás independente se da esquerda ou direita, são vampiros e adoram trabalhar com litros e litros de sangue. Não fazem o bem para ninguém, o grande passatempo deles é fazer o mal para qualquer pessoa que se aproxime de um terreiro, seja ele de qual vertente for. Descrições patéticas de invasões a cemitérios onde as entidades enfiam-se pelos túmulos a dentro procurando por crânios, cabelos e unhas para cumprir sua missão terrena a de fazer o mal a tudo e a todos. Quem de nós, trabalhadores da Umbanda ou do Candomblé, já viu pelo menos uma vez esse tipo de cena bárbara que os “ex” contam com a maior cara de pau? O que dizer então das cenas dantescas que assistimos quando das “sessões de descarrego”? Nós que convivemos com os mistérios dos trabalhos espirituais sabemos que a mediunidade às vezes leva meses e até anos para se manifestar, mas por incrível que pareça qualquer pessoa, seja médium ou não, ao subir ao púlpito, incorpora exus terríveis, chupadores de sangue e roedores de ossos humanos. Isso tudo numa representação digna de pena, acompanhada de uivos e rosnados assustadores. Não chega a ser engraçado? Nunca em mais de trinta anos freqüentando terreiros de variados tipos com diferentes formas de trabalho assisti tamanho fenômeno de mistificação coletiva. Acho que é chegada a hora de dizer a verdade, denunciar em alto e bom som a discriminação que sofremos por parte desses supostos “salvadores de almas”. A Umbanda não é isso, o Candomblé não é isso e nenhuma das vertentes espiritualistas que conheço fazem parte dessa grotesca farsa circense a que somos submetidos todos os dias. Nossa religião não cresce usando o nome de nenhuma outra, não tem e nem deseja esse poder manipulador que essas igrejas demonstram para favorecer o enriquecimento de seus lideres. Hora de dizer que estamos fartos de falsos médiuns, falsos pais e mães de encosto e falsos exus. Hora de escancaramos nosso orgulho em servir uma fé a que nos entregamos de corpo e alma para o bem de nosso próximo. Hora de dizer que nossas entidades e orixás são luz e proteção, caridade e força, verdade e fé. Hora de dizer BASTA!


Luiz Carlos Pereira

3 comentários:

Amanayé disse...

Sim, muito cômico... e, só não é mais cômico ainda por ser demasiadamente trágico.

- Lαи *-> disse...

É, até então ainda nao conheço direito a Umbanda, estou me desenvolvendo e descubrindo esses mistérios. Mas em momento nenhum para o mal. Excelente trabalho o seu no Blog. Parabéns.

Isabella Vasconcelos, jornalista disse...

Engraçado, vocêe tocar no assunto, pois estava justamente abordando em meu blog, sobre a ignorância e a mistificação. Concordo plenamente contigo, e ainda ressalto: nunca vi e nem conheci um espírita que tenha mudado radicalmente para este tipo de corrente ideológica, a não ser os ignorantes que provavelmente nunca foram embuídos com o verdadeiro sentimento da caridade e do amor, não se trata de julgament e sim de uma constatação!

Sou umbandista, em desenvolvimento, e particularmente, sempre tive a tendência a pesquisar sobre os mais variados tipos de crença.