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sexta-feira, 16 de abril de 2010

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EWÁ - Irmã de Iansã. É o horizonte que divide o dia e a noite. Separa o céu da terra e do mar. Deusa casta que tem o poder de tornar-se invisível e penetrar nos mistérios de Ifá. Sincretizada com Nossa Senhora das Neves.


OBÁ - Deusa guerreira das águas revoltas. É a mais velha das esposas de Xangô. Considerada deusa do ciúme, tornou-se a imagem da sofredora. Sincretizada com Joana D’Arc e Santa Catarina.

OXUMARÊ - É o arco-íris e também a cobra coral, a serpente que fecunda o solo e gera riquezas. Masculino e feminino ao mesmo tempo, simboliza a interação das energias. Mordendo a própria cauda assume uma forma circular permanecendo numa rotação contínua, permitindo manter em equilíbrio os corpos celestes. No sincretismo, associado a São Bartolomeu.

LOGUN-EDÉ - Protetor dos navegantes. É o filho de Oxum com Oxossi. Tem os poderes dos pais e vive seis meses na mata e seis meses nos rios, o que lhe dá a designação de metá, ou seja, é metade homem, metade mulher. Tem ainda os atributos da beleza, elegância e sedução. Associado a São Miguel Arcanjo e Santo Expedito no sincretismo.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Nanã e seus filhos


Nanã Buruquê, a senhora dos pântanos, teve dois filhos, Obaluaiê e Oxumarê. O primeiro era muito feio, desengonçado, doente e meio aleijado e Nanã teve muita vergonha dele, por isso, abandonou-o numa gruta perto do mar, onde foi encontrado por Iemanjá e tratado com muito carinho.


O segundo nasceu lindo. Tinha a beleza do homem e da mulher. A beleza de um dia claro de céu límpido. E Nanã ficou encantada pelo menino. Saía orgulhosa exibindo seu belo filho a todos. A cada elogio ouvido, a velha senhora exultava de prazer.

Quando o menino cresceu, tornou-se um rapaz ainda mais bonito. A mãe, embriagada de orgulho, achou que todos, no mundo inteiro, tinham que conhecer a jóia que era seu filho. Resolveu então pregá-lo no céu e lá deixá-lo para embelezar o mundo.

É, por essa razão que Oxumarê está lá no alto, em forma de arco-íris, para que todos vejam sua beleza e para que todos o elogiem. Cada vez que aparece e alguém o elogia, a velha Nanã, aplaude e sorri agradecida. Ela é a mãe de Oxumarê!

sábado, 26 de setembro de 2009

Lenda de Oxumarê


Todos os dias Oxumarê passava em frente ao palácio de Xangô, exibindo a beleza de seus trajes e a riqueza de seus adornos em ouro. O rei olhava admirado e desejava muito ter um contato mais intimo com o jovem, porém, conhecia sua fama de não deixar ninguém se aproximar. Resolveu então preparar uma armadilha e para isso mandou que simulassem uma audiência real e chamassem Oxumarê afirmando que era uma ordem para todos os moradores do reino. Obediente às ordens de seu soberano, Oxumarê compareceu pontualmente no dia determinado. Lá chegando estranhou que estivesse tão vazio já que a ordem tinha sido a todos os súditos, pensou em voltar atrás, imaginando que poderia ser um truque. Mas era tarde, os soldados já o estavam encaminhando a sala do trono. Ao aproximar-se do rei prostrou-se ao chão, como era hábito. Ao erguer a cabeça percebeu um gesto brusco de Xangô dirigido aos soldados que imediatamente passaram a fechar todas as portas e janelas da grande sala. Percebeu que realmente fora enganado. Olhou em torno e não viu condições de fuga. Xangô levantou e se dirigiu ao rapaz, tentando tomá-lo nos braços. Oxumarê passou a se esquivar sempre procurando uma maneira de escapar. Corria de um lado a outro sem conseguir achar nenhuma saída ou mesmo um lugar onde pudesse se esconder. Tomado pelo desespero elevou o pensamento a Olorum em respeitoso pedido de ajuda. Olorum, sensibilizado pela prece do rapaz transformou-o em uma serpente no instante em que era apertado pelos fortes braços do rei. Este, tomado de susto e nojo, largou imediatamente a cobra que sinuosamente atravessou o corredor do salão e saiu por uma fresta da grande porta de entrada. Foi assim que Oxumarê livrou-se do assédio de Xangô.
Muito tempo depois, quando ambos foram feitos orixás, Oxumarê ficou encarregado de levar água do mar para o palácio de Xangô, no Orum (céu). A essa tarefa Oxumarê se dedica exemplarmente até hoje, mas Olorum determinou que nunca mais Xangô pode aproximar-se dele.
Luiz Carlos Pereira