sábado, 5 de setembro de 2009

Mais intolerância...


Sei que o assunto é antigo e até já falei sobre ele, mas o que acontece é que infelizmente, a cada dia, me deparo com mais e mais intolerância. Preciso falar e todos devem também erguer suas vozes contra essa erva daninha que prolifera na internet. Façamos votos que os inspiradores desse texto o leiam e tentem moderar sua ânsia perseguidora, lembrando da verdadeira função do médium que se diz umbandista.
Existe um tipo de pessoas que adora freqüentar sites e comunidades de Umbanda pedindo respeito às tradições e à pureza da religião. Não aceitam novas entidades além das já conhecidas e não admitem ritos e fundamentos que não pertençam a Umbanda tradicional anunciada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, ou seja, para eles o astral estancou há cem anos e nada de novo pode surgir, o trabalho espiritual está definitivamente estático.
Com isso, muitas vezes pegam pesado, ofendendo pessoas que ousam pensar de forma diferente ou mesmo entendem a fé da forma como desejam. Isso mesmo, muitos de nós entendem a fé a seu modo e isso não está errado. "Eu tenho a fé que me guia!” É a frase que deveria nortear o pensamento de cada médium, pertença ele a qualquer vertente religiosa.
O engraçado é que sendo tão puristas e defensores vorazes da “verdadeira Umbanda", esquecem as lições mais básicas do mundo espiritual, as quais somos submetidos dia a dia na lida do trabalho que assumimos em nossos terreiros.. Respeito, amor, perdão e caridade são palavras que não fazem parte do vocabulário de tais pessoas. Ficam a espreita, de tocaia, esperando com paciência a qualquer tipo de comentário que possa lhes parecer uma digressão à lei que eles consideram a única (a deles). Ao menor sinal de contrariedade se atiram sobre o infeliz como tigres famintos. Como alguém, seja quem for, pode ter a ousadia de contrariar as regras que eles têm e sabem de cor e salteado?
Acho incrível ainda que essa mesma turminha que se acha dona da verdade absoluta. quando o assunto é religião, na hora em que é questionada sobre seus santos de coroa me saem com esta: - Na caída dos búzios...
– Opa! Calma lá! Búzios na Umbanda pode?
Não! A Umbanda tradicional não utiliza búzios para oráculo, eles entram em nossos rituais apenas para alguns fundamentos e guias. Mas eu, como verdadeiro religioso que sou, aceito e respeito às casas que os usam. Porém fico indignado quando justamente àqueles que mais defendem e brigam pela religiosidade pretensamente pura aceitem e até usem os búzios para saber seu santo de coroa.
Que contra-senso, que mentalidade pequena, que falta de honradez umbandista!
Já dizia minha avó em sua santa sabedoria:
- Macaco olha teu rabo!
Luiz Carlos Pereira

6 comentários:

diobiglu disse...

como é bom ter quem entenda aumbanda como ela merece com respeito,eamor porque a umbanda é paz eamor obrigado

Márcia Regina disse...

Amigo Luiz, como é lúcida essa matéria! Quando pensamos em intolerância religiosa, pensamos imediatamente em outras religiões nos criticando. Mas esquecemos que talvez a mais difícil intolerância a ser combatida é a que existe entre as vertentes da Umbanda. Acho que é hora de dizer chega, não queremos ser tolerados, precisamos de RESPEITO.Axé

Anônimo disse...

então por que eu já vi tantas entidades, na maioria exús e pomba-giras, usando os Búzios de sua matéria ?

Ivana disse...

Boa Noite. Afinal como se identifica um orixá de coroa na Umbanda?

Paulo da Ilha disse...

Usando dessa oportunidade, gostaria de ressaltar que a cada entrada de ANO NOVO, um orixá é escolhido. Mas, você já percebeu, que não há consenso? Uns dizem que o orixá que vai reger o ano de 2010 é um, vem um outro e diz ao contrário! Como podemos aceitar e crêr no que é certo?

Romulo Cardoso disse...

Se formos por esse caminho, então nem o candomblé deveria a princípio utilizar-se dos Búzios da forma como o faz hoje. Aliás, nas casas mais tradicionais e respeitadas, não é só através dos búzios que se enxergam as coisas. Em casas sérias, os filhos bolam no local do orixá e assim a yalorixa fica sabendo a quem pertence o abian. A tônica em torno dos búzios é porque é através dos mesmos que o zelador(a), exerce o poder dentro da comunidade religiosa, mais isso é pano pra lá de tanta manga. Aqui no Brasil o jogo de búzios surgiu em cerca de 1830 quando Iyá Nàsó e sua gente começaram a organizar o Engenho Velho em Salvador Bahia e a origem do jogo remontava ao Asé Bamgbósé. Com o crescimento do Candomblé, seus dirigentes ficaram obrigados a terem uma função dupla: De Zelador e de interpretes do Oráculo.
As coisas não eram assim na África, ficaram assim aqui... Tudo no fundo resume-se a "Poder". Se der tempo depois escrevo um artigo explicando na íntegra todo esse processo.
Abraço!