segunda-feira, 24 de setembro de 2007

VEJO TUDO! ESTOU MISTIFICANDO?


O grande medo de todo médium que inicia sua caminhada na Umbanda é o da incorporação consciente. Nove entre dez médiuns sentem-se inseguros em suas primeiras incorporações. É muito comum ouvirmos frases do tipo “Eu vejo tudo, não posso estar em transe”. A culpa dessa dúvida que assola nossos terreiros é dos próprios dirigentes que não esclarecem aos iniciantes como é esse processo e dos irmãos mais antigos que insistem em dizer que são totalmente inconscientes, talvez para valorizar a sua (deles) mediunidade ou com medo de serem tachados de mistificadores. Acalmem-se todos! Há muitos anos as entidades deixaram de usar a inconsciência como fator preponderante para o bom trabalho exercido pelo médium. Muito pelo contrário, hoje sabemos que noventa e cinco por cento dos médiuns são conscientes ou semiconscientes. A inconsciência completa é muito rara e pouquíssimas vezes revelada, justamente para não causar essa insegurança tão presente em nossa religião. Pensemos no exemplo da água misturada ao açúcar. Quando adicionamos um ao outro teremos um terceiro liquido inteiramente modificado, mas com ambos os elementos nele. Assim se processa a incorporação, a mente do médium aliada à energia gerada pela entidade que se aproxima , unem-se em perfeita harmonia e conseguem, utilizando os conhecimentos de ambos, um trabalho mais compacto e correto. Não se acanhem em dizer que são conscientes, pois a insistência dessa postura pode levá-los a falhas que aí sim, darão margens à suspeitas de mistificação. Nos primeiros anos da Umbanda havia a necessidade da inconsciência, os médiuns tinham vergonha de entregar-se ao trabalho sem reservas. Como deixar que um espírito se arrastasse pelo chão falando como criança? Ou ainda sentasse em um banco com um pito na boca? Eram atitudes que assustariam o aparelho e o levariam a afastar aquela entidade. Com a evolução constante da lei, todos conhecem perfeitamente as capas fluídicas que nossas entidades usam e não existe mais a necessidade delas esconderem de seus médiuns a forma com que se apresentam. O cuidado a se tomar nos terreiros cabe aos dirigentes com informação e doutrina abundante para que o velho fantasma da insegurança se afaste de vez de nossas casas.


Luiz Carlos Pereira

4 comentários:

Márcia Regina disse...

Caro Luiz
Maravilhoso o seu texto, é a realidade de nossos terreiros. O que não consigo entender é porque os dirigentes das casas, sabendo disso, não fazem palestras sobre o assunto. Eu amo a Umbanda, mas infelizmente ainda não encontrei pais de santo que transmitam os esclarecimentos que os iniciantes precisam ter.Muitos médiuns bons, bem intencionados, compromissados com o amor, caridade e fé, se perdem por exclusivo abandono.Axé

Amanayé disse...

Prabéns pela elucidação!
Gostaria, se me permitido for, relatar aqui uma esperiência por mim vivida á esse respeito;
-Sou iniciado á muito tempo na Umbanda Sagrada, dei início a minha jornada espiritual com apenas seis anos de idade por livre e espontânea vontade. Após um bom tempo de Umbanda e já há muito fazendo atendimentos á consulentes dentre outros trabalhos, e, possuindo eu uma confiança muito grande com um certo irmão de fé, certo dia questionei algo bem parecido como o aqui postado por essa irmã -Márcia Regina- á esse meu citado irmão, pois, sabendo eu de minha conciência, ouvindo e entendendo á "basicamente" tudo, restava-me a dúivda se acaso não partia de mim, fizemos então uma experiência: -Entreguei a minha cabeça a um determinado guia de minha corôa, e, enquanto ele encorporava-se em mim eu permanecia conversando que esse irmão e afirmando tratar-se de mim e não do respectivo guia, assim fiz até um determinado ponto bem avançado de incorporação, entretanto, de um ponto em diante minha voz começou a sofrer mudança, eu permanecia afirmando tratar-se de mim e não do guia, porém já com a voz modificando-se, até... até que já não conseguia fazer tal afirmação, até queria fazê-la... mas não conseguia, pensava falar o que estva pensando e no entanto dizia coisa totalmente adversa, meu dito irmão ria de não poder mais, não era mais eu que alí estava, e, sim, o guia, apesar de eu estar conciente eu não era mais o dono das minhas vontades quer do movimentos quer da fala.
Espero que possa haver utilidade nesseno relato que ora fiz.
SARAVÁ Á TODOS!

taty disse...

tirei uma duvida que eu tinha a muitos anos sou medium conciente eas vezes acho que a algo errado comigo

Robson disse...

95433
Obrigado, fiquei muito satisfeito de ter minhas duvidas aqui publicadas. Sou iniciado na umbanda a pouco mais de quatro anos e isto sempre foi um mistério que até agora não tinha explicação nem sentido para mim. E até agora sempre me disseram que isto era normal, que era assim mesmo e que depois isso passa, mas ainda não encontrei uma casa que tenha seções de desenvolvimento para os inicializados à pouco tempo porque de nada adianta saber disso se o medium não frequentar um desenvolvimento, e isto não pode ser feito em casa, você com você mesmo. Tem que ter o acompanhamento do Pai ou Mãe do Santo.Axé
E que Oxalá abençoe a todos.